QUAL É A SUA RELAÇÃO COM O TRABALHO?

 

O filósofo chinês Confúcio (551 a.C.- 479 a.C.) dizia: “Busque um trabalho que você ame e nunca mais terá que trabalhar um dia em sua vida”.

Isso é muito legal e vejo que, cada vez mais, as pessoas procuram um trabalho assim…

Só que esse pensamento também dá margem para duas questões importantes… e é o que vamos refletir juntos aqui.

O primeiro deles é que, em um país com crise econômica, instabilidade política, conflitos sociais e desemprego galopante, muita gente está trabalhando no que aparece. Muitos, inclusive, bem diferente da formação que fez ou do talento que tem. É uma questão de necessidade. E aquela história de trabalhar com o que se ama vai ficando cada vez mais distante.

Para elas, talvez o importante hoje seja encontrar alegria na obrigação. E isso pode vir do propósito: ver nesse trabalho, que pode até não gostar muito, uma finalidade clara: pode ser sobreviver, passar essa “tempestade” e até mesmo juntar uma grana para depois fazer o que realmente quer.

A outra questão tem mais a ver comigo, que tive a sorte de só trabalhar onde e com que eu gostava. O problema aqui é o necessário equilíbrio.

Por anos a fio, eu mergulhava nos meus trabalhos e até esquecia do tempo. Cansei de ultrapassar meus limites físicos para garantir que aquele trabalho que eu amava fazer ficasse “perfeito”.

Naquela época, ser chamada de workaholic – viciada em trabalho – era até um elogio para mim. E, confesso, consegui muito do que sou e tenho hoje consegui graças a esse estilo de trabalhar: os bens materiais, a credibilidade… e também os problemas de saúde.

Exatamente isso: o trabalho em excesso pode gerar problemas de saúde e tem levado muita gente a consultórios de analistas e a grupos de auto ajuda. Tem até um programa no Reino Unido chamado de Workaholics Anônimos (WA), que tem muita semelhança com o já conhecido Alcoólicos Anônimos (AA).

Aliás, tem até um ditado inglês que diz: “All work and no play makes Jack a dull boy” (trabalhar sem parar e nunca brincar faz de Jack um sujeito sem graça).

O pior é que o isso ainda não é considerado oficialmente uma doença (nem é reconhecido pelo Manual de Distúrbios Mentais) e não tem muitas pesquisas nessa área. Mas existe. Ah, se existe!

Mais: vem piorando graças a tecnologia e o acesso fácil a e-mails e redes sociais da empresa onde quer que se esteja.

Segundo o jornal Extra, que produziu uma reportagem especial sobre o assunto, “Uma pesquisa realizada pela International Stress Management Association no Brasil (Isma-BR) mostrou que 23% dos profissionais brasileiros têm tendência ao “workaholismo”, como também é chamado o vício em trabalho. Entre executivos que ocupam altos cargos, o índice chega a espantosos 90%, conforme apontou um estudo do Centro Psicológico de Controle do Stress (CPCS) feito há cerca de três anos”.

Na reportagem, o psiquiatra Roberto Shinyashiki, diz que é preciso diferenciar o worklover (aquele que ama o trabalho) do workaholic: “O worklover trabalha muito, mas também relaxa e se diverte muito. O workaholic não consegue se divertir nem relaxar e, principalmente, tem dificuldade de se relacionar com as pessoas”.

Estas são pessoas que deixam de tirar férias ou tiram pouquíssimos dias (esquecem que o cérebro precisa de descanso), comem um lanche rapidinho (muitas vezes enquanto trabalham), deixam de ir alguns eventos sociais, quase nunca se desligam do trabalho.

E não estão aproveitando o que conquistaram

O X da questão é saber se você é workaholic ou worklover. Para isso, é bom se observar e se conhecer mais. Porque o comum é que o viciado em trabalho não admita que está com problemas. Em geral, só descobre quando adoece. Sabe aquela história de que quando você não para, o seu corpo pode lhe parar? É por aí…

Reproduzi, no final deste artigo, um questionário feito pelo Extra para você saber se é workaholic. Faça o teste!

Outra questão que devemos observar é a cobrança com os filhos. A psicóloga Marilda Novaes Lipp, diz que as práticas adotadas por pais na educação dos filhos estão contribuindo para que mais pessoas se viciem em trabalho: “As crianças modernas estão sempre em alguma aula, se preparando para uma vida de ocupação. Os pais estão ensinando que o lazer não é importante”.

Tudo isso passa por algo que já falamos muito aqui: crença. O workaholic acredita que essa é a única (ou a correta) forma de se trabalhar. E isso se torna uma verdade para ele, que vai procurar argumentos para justifica-la… e fica cego quanto os contraditórios.

Nessa história toda, é sempre bom lembrar que, como em tudo na vida, o equilíbrio é o ponto central. Quanto a esse aspecto, o filósofo Mário Sérgio Cortella lembra que “É evidente que você precisa se dedicar à carreira, mas não pode deixar que apenas um aspecto da vida obscureça todos os demais. É preciso buscar um equilíbrio entre as diversas faces da existência. E esse equilíbrio é igual ao necessário para andar de bicicleta: você precisa estar sempre em movimento para não cair. Equilíbrio significa ser capaz de ir aos extremos sem se perder neles… Uma pessoa que passa o tempo todo obcecada pela carreira está adoentada. É preciso cautela, porque isso vai torná-la infeliz. Há momentos na vida em que você vai se dedicar mais aos filhos do que à sua carreira. Em outros, você precisará trabalhar por 12,13 horas por dia e ficará menos tempo com a família. O importante é não se perder nos extremos, mas saber transitar entre eles”.

Ah, eu disse no começo que ERA workaholic. Deixei de ser. Essa foi uma das mudanças que eu fiz na vida depois de ter feito um Processo de Coaching, aliás, Autocoaching – o mesmo que hoje ensino as pessoas a fazer no Dia de Coaching.

É isso! Agora, deixa o seu comentário aí embaixo.

Se gostou, aproveita para compartilhar com os amigos!

Beijos mil e até o próximo!

Suzane Jales,
sua coach

Suzane Jales

About the Author

Suzane Jales

Suzane Jales é Coach (Life & Executive - especialista em Coaching em Grupo), Master Practitioner em Programação Neurolinguística (PNL) e com formação em Hipnose Eriksoniana, Eneacoaching (Eneagrama aplicado ao coaching), Terapias Naturais (Medicina Tradicional Chinesa), Emotional Freedom Techniques (EFT) e Reiki. Jornalista e Escritora, tem mais de 10 livros publicados (é especialista em Biografias).

Follow Suzane Jales: